NOUTROS SECTORES DA INVESTIGAÇÃO: REAVALIAR A PEGADA DE CARBONO DAS EXPLORAÇÕES PECUÁRIAS PARA BAIXO

Este artigo é largamente baseado nas "Perspectives" N°52 bem como no artigo publicado em 9/12/2019 em www.cirad.fr

O sector pecuário contribui para 14,5% das emissões de gases com efeito de estufa ligados às actividades humanas (Tackling Climate Change Through Livestock (FAO, 2013)). No entanto, a investigação realizada no Senegal mostra que os territórios pastoris podem ter um balanço de carbono neutro: as emissões de gado podem ser compensadas pelo sequestro de carbono no solo e na vegetação. Estas emissões poderiam mesmo ser reduzidas através de certos desenvolvimentos no uso do solo, tornando a criação de gado pastoral não só um meio de combate ao aquecimento global mas também uma alavanca para a estabilização política na região.

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Rebanho misto de ovelhas e zebuínos bebendo de um charco no início da estação das chuvas (Ferlo, Senegal) © S. Taugourdeau, CIRAD

 

INTEGRAR O TERRITÓRIO PASTORAL COMO UM TODO

 

COMO?


O método ecossistémico aqui utilizado, também chamado "territorial", tem em conta todo o funcionamento ecológico de um território para calcular o seu balanço de carbono. Todas as trocas, ou seja, emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera e sequestro de carbono no ecossistema, são contadas. O perímetro do território é definido, depois são descritos os seus principais elementos (animais, solos, plantas) e as interacções entre eles e com a atmosfera.

RESULTADOS


O método resulta numa representação espacial e dinâmica das emissões e variações de stocks, de acordo com as estações e localizações. A abordagem do ecossistema tem em conta processos específicos do território estudado: por exemplo, no Senegal, a presença de animais que consomem forragens em pé reduz o risco de incêndios e de cupins. Como resultado, as emissões de metano provenientes da digestão do gado foram reavaliadas para baixo e, no final, o balanço de carbono desta região é neutro, ou mesmo ligeiramente negativo. "Ao consumir plantas, o gado limita a produção de metano pelas térmitas, e reduz o risco de incêndio", diz Jonathan Vayssières, agrónomo e modelista do CIRAD que supervisionou o doutoramento de Mohamed Habibou Assouma sobre estas questões.

TAMBÉM QUESTÕES POLÍTICAS


Incentivar a manutenção da mobilidade pastoral é uma acção-chave para preservar tanto as populações como o equilíbrio dos ecossistemas. Esta mobilidade é regularmente ameaçada pela insegurança e conflitos, crescimento populacional e expansão urbana e agrícola. Para além do seu papel na atenuação das alterações climáticas, a pecuária é uma forma óptima de ocupação e desenvolvimento de vastas áreas que não são propícias a outras actividades: é um dos meios de assegurar estas regiões e estabilizar as populações humanas.

Este trabalho, financiado pelo programa europeu AnimalChange e pelo Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID) e realizado com a ajuda do Instituto Senegalês de Investigação Agrícola (ISRA), está a revalorizar estas áreas pastoris.